Direção de Roberto Moreira.
2002

:: Sinopse

“Contra Todos” conta a história de uma família de classe média baixa. Eles vivem em um bairro de periferia em que o asfalto das ruas pavimentadas faz fronteira com a terra batida das favelas. A vida dentro de padrões razoáveis convive porta a porta com a miséria completa. Estão em franca desagregação, no limite da convivência. São quatro personagens se movimentando por poucos cenários, todos locações espalhadas pela cidade.

:: Crítica

“Uma das atrizes mais talentosas da nova geração do cinema brasileiro, Leona Cavalli, mais uma vez surpreende com uma interpretação acima da média, no visceral “Contra Todos”.

A GAZETA ( 04/05/2004 ) – Vitória – Gustavo Cheluje

“Leona Cavalli em sua melhor interpretação no cinema.”

Leon Cakoff – Jornal da Mostra

:: Prêmios

- PRÊMIO de MELHOR ATRIZ para Leona Cavalli no Festival Internacional de Las Palmas, Espanha, 2005.

- PRÊMIO de MELHOR ATRIZ para Leona Cavalli no Festival Internacional de Cataguazes, MG, 2005

– comentário ————————————————–

“CONTRA TODOS”, um quebra-cabeças

O “Contra Todos” foi um filme feito de uma maneira diferente. Quando o Roberto me chamou apenas me falou da sinopse e de uma idéia geral da personagem. A proposta era a de os atores jogarem o tempo todo, sem saber como o filme terminaria. Já havíamos trabalhado juntos no “Céu de Estrelas”, ele foi um dos roteiristas, eu sabia que podia confiar na sua direção, e aceitei. Fizemos algumas semanas de ensaio com ele e com o Sérgio Pena, com quem eu também já havia trabalhado no Carandiru e que desenvolve uma linguagem especial com os atores, próxima a de teatro, mas única no cinema brasileiro. Foram ensaios longos, em que improvisamos o tempo todo e onde o roteiro foi sendo finalizado.

Um dia, por exemplo, ao fazer uma cena em que a minha personagem foge de casa; a indicação era sair do espaço e ir realmente prá rua. Quando dobrei a esquina (câmera e equipe junto), encontrei um outro ator/personagem, que não poderia saber de minha fuga, e comecei a correr. Até que passou um moto-boy, fiz sinal prá ele parar e estava subindo na moto, quando fui interrompida por meu colega de cena. Entramos num estacionamento ( os donos não sabiam que era uma cena, nem as pessoas da rua, que paravam prá ver o que estava acontecendo), enquanto ele tratava de tentar me “esconder”, fugi e entrei em um dos carros. Liguei e dei a partida, o que também não deu certo, pois ele, no seu papel, impediu novamente a minha “fuga”. Tudo isso com a cumplicidade de toda a equipe e a liberdade proposta pela direção.

Foi muito divertido, exaustivo, e desafiante pra cada um de nós. Só ficamos sabendo como o filme terminaria e qual seria o destino de cada personagem no último dia de ensaio, como um quebra-cabeças que ia sendo montado a cada encontro. Durante as filmagens esse processo foi mantido, claro que com um mapa de cada cena, mas ainda com o sabor do acaso.

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