A  ATUAÇÃO

Na Grécia, na época da passagem do patriarcado para o matriarcado, houve uma mítica disputa sobre quem ficaria com o Templo de Hécate: se Dionysios ou Apolo. O resultado foi que Dionysios ficou com o lado de dentro e Apolo com o lado de fora. Daí interpreto o trabalho de ensaios e concepção de um espetáculo ser dedicado à Dionysios; e a produção e divulgação, à Apolo.

 

Faço aqui uma analogia com o próprio templo – CORPO – do ator:

 

Considero a atuação como resultante da união do conteúdo e da forma; que se interligam continuamente, pois a forma mais bela é a que possui conteúdo e este é melhor interpretado quando há harmonia nas formas. Analisando aqui o CONTEÚDO como sendo parte do universo dionysíaco (interno), e a FORMA apolínea (externa); ressalto quatro itens que me parecem fundamentais no processo da atuação:

 

APOLÍNEO – EXTERNO

 

1) A MÁSCARA

 

É usada pelo ator para comunicar-se imediatamente, através de símbolos comuns e mutantes ( mobilidade necessária para o jogo). Aquilo que o público compreende imediatamente, onde a ação se expõe; figurino, maquiagem, TEXTO.

 

DIONYSÍACO – INTERNO

 

2) O BRILHO

 

A pulsação, o ritmo e a respiração, provedores da ação, situados atrás da máscara e manifestados através dela. A AUTENTICIDADE.

 

APOLÍNEO – EXTERNO

 

3) A GRAÇA A beleza revelada pelas nuances e detalhes. A ambigüidade perceptível na interpretação. As outras intenções.

 

O SUBTEXTO. DIONYSÍACO – INTERNO

 

4) O SANGUE

 

O coração. Os segredos do ator.

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