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Leona Cavalli, uma cult flerta com a TV

Estrela de teatro e cinema faz Silvio de Abreu voltar à Boca do Lixo em Belíssima

Patrícia Villalba

Alguns atores têm a capacidade de nos levar ao cinema e ao teatro só para vê-los. Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2001) é um filme admirável, sem dúvida, mas, se não fosse, valeria a pena só pelo fato de ter Leona Cavalli - e pela cena em que ela aceita a provocação de Jonas Bloch e levanta o vestido, provando que, sim, os pêlos pubianos combinam com a cor dos cabelos: tom de manga. Belíssima, nova novela das oito, vale, entre outras coisas, por ter levado Leona à TV, enfim, num papel de destaque, ainda que meteórico: Valdete, sua femme fatale de botequim, deve aparecer morta no capítulo de hoje.
É o primeiro dos três crimes desta trama de Silvio de Abreu. A garçonete que deu o tal 'golpe da barriga' no patrão para garantir seu futuro financeiro foi criada especialmente para Leona. Ao mesmo tempo em que aguardava a decisão judicial sobre a pensão para o filho, a personagem seduzia André (Marcelo Anthony). O caso é que o moço trocou a garçonete pela mocinha Júlia (Glória Pires). E ela jurou vingança. Virou um caso típico de 'cozinhar o coelho' - à moda da ensandecida Alex Forrest, personagem de Glenn Close, em Atração Fatal.
Valdete remete às heroínas das pornochanchadas dos anos 70, produzidas em São Paulo, na chamada Boca do Lixo. Ali, Silvio dirigiu o clássico Mulher Objeto, em 1981. 'Valdete é uma personagem despudorada, mau-caráter, vulgar e odiosa e imaginei isso para Leona porque ela não tem medo nem limites em suas criações e, melhor ainda, se atira de corpo e alma em qualquer personagem', explica o autor ao Estado. 'Ela não tentaria aparar arestas de uma personagem odiosa para que ficasse palatável ou caísse no gosto do público médio.' Atriz das mais queridas dos palcos paulistanos, Leona é gaúcha, de Rosário do Sul, quase na fronteira com o Uruguai. Foi batizada Alleyona. Diga-se de passagem, não é do signo de Leão, mas de Escorpião. 'Minha mãe queria Leona, mas meu pai achou que seria muito forte para um bebê. Para amenizar, puseram Alleyona', conta. 'Mas quando comecei minha carreira, era mesmo muito difícil. Eu tinha de soletrar meu nome o tempo todo e, vira-e-mexe, me chamavam de ´Aleona´. Por isso, troquei.' Filha do prefeito de uma cidade onde não havia teatro, ela decidiu ser atriz aos 6 anos.
Aos 15, foi para Londres, trocando a festa de debutante pela viagem. Assistiu a uma peça de teatro - Motim, parece até piada - e não teve dúvida. 'Liguei para o meu pai e disse que só voltaria para o Brasil se fosse para morar em Porto Alegre e estudar teatro.' Ele cedeu a muito contragosto, ela foi morar na capital, onde conheceu o diretor pernambucano José Barbosa Costa.
Foi seu primeiro professor de teatro, primeiro diretor, primeiro namorado. Logo, quase 'para casar', viu o sonho de ser atriz em risco. 'Ele queria viver em Porto Alegre', justifica.
Mudou-se então para São Paulo. Foi o ator Pascoal da Conceição que a levou ao Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez Correa.
Lá, a crítica e o público caíram a seus pés: fez Ofélia em Ham-let
(1993), se jogou em Bacantes
(1996), interpretou Cacilda Becker (em Cacilda!, 1999). 'Leona Cavalli é a prova concreta do milagre manifesto: há muitas Cacildas numa só Cacilda!', escreveu Zé Celso no programa da peça.
No Oficina, Leona começou a montar uma galeria impressionante de grandes mulheres, que depois prosseguiu desde as classudas como Blanche Dubois (Um Bonde Chamado Desejo, 2001) até as brejeiras, como Dalva, de Um Céu de Estrelas (Tata Amaral), sua estréia no cinema, em 1995.
Como Valdete, de Belíssima, mas cada uma a sua maneira, essas personagens sempre se tornam maiores pela interpretação de Leona - numa força de personalidade que atrai as mulheres e um poder sexual que hipnotiza os homens. Por isso, virou símbolo sexual cult. 'Tem muito a ver com as personagens. Não cultuo nem nego, porque a sexualidade tem a ver com percepção e eu tenho uma relação quase tátil com as emoções', observa.
Pessoalmente, no entanto, ela não faz pose. A Leona verdadeira - ou a que está mais próxima do real - é difícil de captar. É uma mulher séria, altiva, complexa, no melhor sentido.
E que diz estar muito feliz por fazer TV, meio no qual se 'interpreta o normal, o cotidiano das pessoas'. 'A primeira vez que fiz TV foi uma ponta em Os Normais, e adorei que tenha sido assim', diz. 'Minha personagem nem tinha nome, era apenas ´uma normal´.' ?


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50 paulistanos que marcaram 2002

Cinqüenta figuras de sucesso ilustram esta edição de Veja SP pelo trabalho bem-sucedido que realizaram nos últimos doze meses, figuras como a atriz Leona Cavalli.

O difícil papel da atormentada Blanche de Um Bonde Chamado Desejo destina-se às divas. Já foi vivido por Jessica Tandy, Vivien Leigh (Oscar de melhor atriz), Henriette Morineau e Eva Wilma. Ainda assim, essa gaúcha de 33 anos radicada em São Paulo resolveu produzir e protagonizar a peça. Acabou indicada para o Prêmio Shell. O resultado sai em 2003, quando também estréiam três longas filmados por ela neste ano: Contra Todos, Amarelo Manga e Carandiru. "A possibilidade de fazer coisas tão diferentes num curto espaço de tempo é o que mais me fascina", afirma.
ALBERTO GUZIK


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Sobre Um Bonde Chamado Desejo

Estado de São Paulo, 8 de março de 2002.
"... Leona Cavalli está luminosa como Blanche. Bela e jovem demais para o papel, supera esses "limites" físicos com uma percepção notável e um mergulho apaixonado para o interior de Blanche. Atriz superlativa, Leona arrasta consigo o espectador desde sua aparição, toda de branco, carregando uma pesada mala, em busca da casa de Stella. UM BONDE CHAMADO DESEJO confirma o importante papel que a diretora Cibele Forjaz está desempenhando no teatro brasileiro contemporâneo. e representa mais um passo na carreira de Leona Cavalli, trajeto repleto de desafios que o talento da atriz vem transformando em indiscutíveis triunfos."


Sobre Toda Nudez Será Castigada

Jornal da Tarde, 07 de julho de 2000.
"O cast de Toda Nudez é homogênio e consistente. A obra estreou em meados dos anos 60, com Cleide Yácones como Geni. A personagem foi vivida depois por Darlene Glória no cinema e por Marília Pêra no teatro. Leona Cavalli nada lhes fica a dever. Está esplendorosa. Atira-se ao papel com impressionante garra e desenha de modo irretocável a prostituta adúltera que se matará por amor. Leona Cavalli impõe-se, esbanja presença de cena, é uma estrela."

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SÉRGIO SALVIA COELHO

Sobre Um Bonde Chamado Desejo

Folha de São Paulo, 14 de março de 2002
" ... A atuação de Leona Cavalli é inesquecível. Ponto de convergência da generosidade criativa da Cia Livre, Leona tece uma rede sobre a angústia de seu desejo com agilidade verbal e sensualidade de gestos. Faz de sua Blanche uma Fedra - a personagem de Racine que, segundo Proust, permitia determinar uma geração pela atriz que se tinha visto representá-la. Para a nova geração, a partir de agora, o desejo se chama Leona Cavalli."

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AGUINALDO RIBEIRO DA CUNHA

Sobre Um Bonde Chamado Desejo

Diário Popular,17 de março de 2002
"...Leona Cavalli interpreta a protagonista com tal carga de sentimento interior e veracidade , que faz o público esquecer ter diante de si uma atriz jovem e bonita, passando a acreditar estar vendo uma mulher envelhecida e decadente. A partida de Blanche é momento de alta emoção, pelo desamparo e fragilidade mostrados pela atriz."


Sobre Toda Nudez Será Castigada

Diário Popular, 20 de julho de 2000
"Leona Cavalli em excelente atuação, humanizando a personagem, fazendo-a com as nuances próprias da mulher apaixonada e prostrada pelo abandono e traição."

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MARIA LÚCIA CANDEIAS

Gazeta Mercantil, 22 de março de 2002

LEONA INESQUECÍVEL - Atriz é destaque neste 'UM BONDE CHAMADO DESEJO'
"...Blanche Dubois é considerada um papel excelente mas bastante difícil. Na presente montagem dirigida por Cibele Forjaz, quem interpreta Blanche é Leona Cavalli - e o faz com raro brilho. O espectador a assiste fascinado do começo ao final."

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CHRISTIANE RIERA SALOMON

Sobre Um Bonde Chamado Desejo

Revista BRAVO, Abril de 2002
"Leona Cavalli interpreta Blanche Dubois. A talentosa atriz ameniza o lado mais patético da personagem e arranca risos da platéia com suas frases bombásticas. Se Blanche flutua entre fantasias altivas e uma realidade mais vulgar, Leona consegue extrair drama e comédia desse descompasso entre os dois mundos vividos por ela."

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MARIÂNGELA ALVES DE LIMA

Sobre Toda Nudez Será Castigada

O Estado de São Paulo - 25 de agosto de 2000
"Leona Cavalli, no papel de Geni, torna visível e comovente a vulnerabilidade dos mitos sexuais. O erotismo é visual, construído por meio de gestos que se assemelham a uma iconografia das deusas de sexo. Mas na voz e no relacionamento com Herculano e o filho Serginho, há um autêntico desejo de afeto e respeito."



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FÁBIO CIPRIANO

Sobre Toda Nudez Será Castigada

Folha de São Paulo/20 de outubro de 2000
"É na presença dos atores que o espetáculo cresce. Leona Cavalli tem uma participação envolvente, sua Geni é quente, voluptuosa."

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DÉBORA MAMBER

Sobre Toda Nudez Será Castigada

Revista VEJA - outubro de 2000

"Leona Cavalli entrega-se com gosto à personagem Geni. Sua interpretação é primorosa."

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MACKSEN LUIZ

Sobre Toda Nudez Será Castigada

Jornal do Brasil - Março de 2001
"Leona Cavalli ultrapassa a composição exterior da vulgaridade, atingindo o tom entre o delírio e a interiorização da mulher em solidão desesperada. Uma interpretação vibrante na sua violência surda."


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BÁRBARA HELIODORA

Sobre Toda Nudez Será Castigada

O Globo - Março de 2001

"Leona Cavalli é o destaque da montagem."


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CARLOS REICHENBACH


Para a Revista de Cinema, sobre Um Céu de Estrelas de Tata Amaral.

" - A excelente Leona Cavalli é a alma de todo o filme... Ao escolher atores desconhecidos e estreantes em cinema, a diretora Tata Amaral demonstrou uma audácia rara no cinema brasileiro. Sua sorte foi ter encontrado na atriz uma parceira à altura da matéria-prima dramática. Leona pertence àquela estirpe que está além da fotogenia. É o que Renato Berta ( o fotógrafo de Straub e Louis Malle ) chama de cinegenia, e que explica a grandeza de uma Holly Hunter ou de uma Juliette Binoche. Basta a lembrança da sequência em que o casal fica na porta envidraçada esperando a polícia ligar as luzes da casa, ou o longo e impressionante plano do desfecho para remeter os closes de Leona às antológicas caracterizações de Isabel Ribeiro em "São Bernardo", de Helena Ignez em "A Mulher de Todos" e do grande Glauber Rocha em "Terra em Transe".

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NELSON DE SÁ



Para a Folha de S. Paulo, sobre Mistérios Gozosos


"A prostituta Eduléia é feita por Leona Cavalli, atriz sempre no limiar da tragédia, ao mesmo tempo violenta e indefesa."


Para a Folha de S. Paulo, sobre Cacilda!

Com nova protagonista e muitas mudanças no elenco, "Cacilda!" volta para sua terceira temporada... Leona Cavalli, no papel de Cacilda Becker, a grande atriz celebrada no espetáculo, entende como poucos a linguagem de palco de Zé Celso, e é o trunfo maior desta revelação... desde a sua primeira atuação no Oficina, como Ofélia em Ham-let, Leona Cavalli se caracteriza por uma atuação a meio caminho entre o distanciamento carregado de ironia e a aberta tragicidade. (Foi a interpretação que ela levou ao cinema na atuação também marcante de "Um Céu de Estrelas", da diretora Tata Amaral) A integração entre protagonista e coro foi completa."


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RENATO MENDONÇA

Para o Zero Hora, sobre Cacilda!

"Cacilda Becker é brilhantemente vivida (mais que interpretada) pela atriz gaúcha Leona Cavalli".


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A GAZETA ( 04/05/2004 ) - Vitória - Gustavo Cheluje

"Uma das atrizes mais talentosas da nova geração do cinema brasileiro, Leona Cavalli, mais uma vez surpreende com uma interpretação acima da média, no visceral "Contra Todos".

E também colocar na página do filme:

- PRÊMIO de MELHOR ATRIZ para Leona Cavalli no Festival Internacional de Las Palmas, Espanha, 2005, e no Festival Internacional de Cataguazes, MG, 2005
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